Como parceiro deste portal e em minha primeira colaboração, quero falar do aspecto mágico e no mínimo curioso do comportamento humano, chamado empreendedorismo. Fenômeno, descrito por Maximiano (1) em seu livro “Administração Para Empreendedores”, que faz a pessoa realizar tarefa difícil e trabalhosa, assumindo riscos e colocando em prática ideias criativas. Com essas características é que se define o “espírito empreendedor”.

Como professor, utilizo-me de conceitos e descrição de características para explicar este fascinante aspecto da condição humana de superar desafios, sobrepujar dificuldades, buscar e criar oportunidades, persistir nas derrotas, comprometer-se com resultados. As pessoas empreendedoras planejam, agem, correm riscos, realizam tarefas com disposição, buscando meios viáveis para alcançar um objetivo, ou simplesmente materializar suas ideias.

Outro aspecto importante neste tema é saber que existem empreendedores em todas as áreas da atividade humana, ou seja, “Eis que o campo já está branco para a ceifa; portanto, quem deseja ceifar que lance a foice com vigor e ceife enquanto durar o dia…” (2).

A figura do empreendedor é dominante em toda a história da humanidade. Desde os povos antigos até os dias de hoje, e, com certeza, será o grande diferencial do mundo vindouro. Pensem como seria viver eternamente sem o empreendedorismo ou simplesmente sem criar coisas novas, sem metas ousadas de criação e prosperidade. Sem inovação, empreendedorismo e prosperidade, tudo ficaria monótono, enfadonho e sem entusiasmo (3).

Enquanto o empresário (administrador) representa o lado formal do negócio (empresa), o empreendedor representa o lado criativo, inovador e, ao mesmo tempo, torna-se imprescindível para o nascimento, crescimento e sobrevivência de um negócio. O empresário usa a orientações administrativas, com ferramentas, técnicas e teorias; o empreendedor usa a orientação estratégica, suas ideias, como se ouvisse mais atentamente as orientações abstratas. Quando ambos se fundem em uma só pessoa ou se completam na junção de duas ou mais pessoas, surgem os grandes inventos e serviços, disponíveis nesse mercado tão concorrido e absurdamente competitivo.

Percebo algumas vantagens significativas em ser um empreendedor: autonomia – aquela sensação de liberdade para tomar suas próprias decisões, sensação de ser chefe de si mesmo; realização – aquela sensação prazerosa de realizar sonhos, de construir seu próprio progresso, de definir o nível de seu esforço; controle – aquela sensação de controlar tudo, desde a ideia e recursos aos resultados e ganhos financeiros.

Também menciono minhas percepções a respeito das desvantagens, que aqui servirão apenas de incentivo, ao invés de desmotivar quem pretende transformar sonhos em ideias e ideias em realidade lucrativa. Sacrífico pessoal – o empreendedor deve se perguntar se vai valer à pena e se está disposto a pagar o preço para realizar seus sonhos, tais como tempo, dinheiro, laser com a família etc. Responsabilidade – estar sozinho no “topo” é concentrar as responsabilidades das decisões, pois ele deve “apostar todas as fichas” no negócio. Lucro não é salário – a remuneração do empreendedor é o lucro³, e, nesse caso, lucro é melhor que salário.

Finalizando nossa primeira abordagem sobre o tema, vale lembrar outra característica ainda não citada até o momento, mas, também, tão importante quanto às outras: visão holística. Esta visão garante o otimismo necessário para empreender. Ou seja, é ver aquilo que ninguém consegue ver e por isso o empreendedor segue firme, sem receios. Por causa do compromisso que tem com suas necessidades, consegue estabelecer uma persistência audaciosa e clara, que só quem tem a visão de onde quer chegar consegue ter.

Ter o espírito empreendedor é encontrar alternativas para sair da crise, da monotonia, é sair do conforto de ter mais do mesmo e sim, ter mais do mais. É percorrer caminhos desafiadores, porém lucrativos. É ter coragem de prosseguir, realizar tarefas difíceis com desafios, enquanto outros desistem. É ter a confiança em sua capacidade. É saber que não está só, porque nunca estamos sós. Dizem que a alma de qualquer negócio é saber ouvir o cliente. Eu digo que a alma de qualquer empreendedor é saber ouvir a voz deste espírito, espírito empreendedor.

Notas

1. MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Administração para empreendedores. 2. ed., 5. reimpr. São Paulo, SP: Pearson Prentice Hall, 2013. 240 p. ISBN 9788576058762.
2. D&C – Doutrina e Convênios é o nome de uma parte das escrituras-padrão, que formam a base da doutrina de fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A citação deste texto refere-se à D&C 14:3.
3. Entusiasmo – Com relação à etimologia, a palavra entusiasmo se deriva do grego “enthousiasmos” que significa “ter um deus interior” ou “estar possuído por Deus”.